Tem lugares, pessoas, momentos, dias, que são impossíveis de esquecer, né? Você se apega, apaixona, acostuma. E quando isso acontece, é difícil deixar pra trás depois. Aí a primeira coisa que te dizem é: "ah, pensa bem, poderia ter sido ruim. agradeça por ter sido tão bom quanto foi". É óbvio que eu sou grata por ter sido melhor do que eu esperava. Mas do mesmo jeito que é bom quando alguma coisa vira uma memória maravilhosa como essa, também é ruim, porque ela traz saudades imensas.
Como se chega num lugar sabendo que 2 semanas depois, você vai estar se lamentando por estar se despedindo. Não importa o quanto você não goste, deteste, no final, vai ser péssimo.
Meus primeiros dias na UCLA foram ótimos, mas também muito cansativos. Por isso, eu falava pra mim mesma e pros outros que eu não tava gostando e que esperava muito mais. Até eu conhecer 3 pessoas maravilhosas: Hanna, Marina e Ana Clara. Muitas pessoas, inclusive eu, sempre falaram que amizade é algo que se constrói com o tempo, e não dá pra confiar muito menos amar pessoas que você não conhece há tanto tempo. Eu julgava tanto as pessoas, que acho que isso aconteceu comigo só pra me dar uma lição. E bom, eu conheci elas, e com o tempo fomos nos falando cada vez mais, ficando mais amigas e mais próximas. Foi no sábado, dia do Six Flags que eu me aproximei MUITO de uma delas, a Hanna. Além de engraçada, divertida e muito estranha (que nem eu), ela era extremamente carinhosa, meiga e amiga. Com certeza, uma das melhores (se não a melhor) pessoas que eu conheci nessa viagem.
Continuando...
Tudo lá era tão...perfeito. Acho que essa é a única palavra que descreve. O que eu não gostava, com o tempo foi dando certo, e aos poucos passou a ser uma coisa que eu gostava, e muito. O refeitório, o quarto, o banheiro, as pessoas, a sala de aula, tudo, absolutamente tudo. Será que existe coisa melhor que passar um dia inteiro fazendo coisas legais e chatas com as suas melhores amigas?
Me julguem, critiquem, falem que é exagero, mas eu não me importo. QUE falta que esse lugar me faz. Nos últimos dias, chegava a ser engraçado de tão triste que o ambiente tava. É impossível alguém querer sair de lá. Eu preciso voltar. Agora. Preciso acordar 7:30 da manhã com a Natália falando "Ana Luiza, já são 7:30!!!". Preciso andar 20 minutos morrendo de frio pra ir pra aula e mais 20 pra voltar morrendo de calor. Preciso das aulas da Angela alucinada. Preciso das aulas do Ian Jesus. Preciso tomar banho depois do Room Check. Preciso pedir pro Carlos pra mudar de grupo todo dia. Preciso ensinar português pro Muhammad. Preciso ver a Hanna todo dia e chorar de rir com ela. Preciso quase dar uma de Natália. Preciso gritar "OH MY GOD!" pelas ruas. Preciso olhar pro fundo do refeitório e ver você sentado lá ♥. Preciso voltar da aula cantando espanhol com a Lya. Preciso da cara de psicopata do Victor. Preciso do sotaque italiano do Mario do armario. Preciso apertar as bochechas da Toló. Preciso ensinar como se fala "I love my family" em português pro Pitta.
Tudo isso se foi. O contato com algumas pessoas ficou, óbvio. Mas a experiência, os momentos, o "agora" de lá, tudo isso não ta mais aqui. Essas experiências e momentos viraram lembranças, fotos e vídeos.
Toda noite eu vou dormir com esperanças de que eu vou acordar no dia seguinte atrasada, tendo que descer rápido pro café da manhã, pra não me atrasar pra aula da Angela que começa 9 horas. Com o tempo, a ficha vai caindo. Mas é estranho, sabe? É estranho...
Parece que foi tudo um sonho, um sonho muito bom. E eu acabei de acordar dele.