um menino me mudou. na verdade, eu mudei
por ele. eu mudei pra ele. eu corri pra longe da minha zona de
conforto, peguei ela e joguei no lixo, visualizei suas mensagens e não
respondi. minha zona de conforto deixou de existir. isso tudo por um menino que
me mudou (por favor, sem conversa de isso ser besteira, eu ser trouxa,
otária, o que for. eu tô só vivendo meu momento).
hoje eu descobri que essa zona já não
existiu. e se existiu, eu vivia fora dela. ou vivia dentro, mas pelo menos ser
sem impedida de fazer tanta coisa. hoje eu descobri que falar com pessoas
(principalmente novas) já não foi um problema. eu descobri que era o que eu
mais fazia, e fazia bem. eu, há 8 anos atrás, fiz um melhor amigo desse jeito.
eu me jogava, me abria, falava, socializava. em algum momento no meio do
caminho isso se perdeu. e pior, eu poderia muito bem me segurar na memória de
que um dia não foi tão difícil. poderia me segurar na memória de não suar e
pensar 10 vezes no que falar antes de ligar pra pizzaria, pedir ajuda numa loja
e, principalmente, iniciar uma conversa com alguém desconhecido. mas junto da
habilidade, a memória também desapareceu. eu passei anos não entendendo porque
pessoas que me conhecem há anos me viam como a extrovertida, expansiva, comunicativa. eu quase cursei algo
diferente por causa disso.
ironicamente, como o mundo dá voltas, e as
coisas acontecem e a gente não sabe o por quê, eu felizmente não ouvi 100% das
opiniões alheias e fui estudar minha querida psicologia (eu cheguei a bater na
porta de comunicação). ironicamente, como o mundo dá voltas, lá eu conheci um
menino que me mudou. eu decidi ser alguém que eu não sou (ou pelo menos achava
que não era) porque essa seria a única forma de me aproximar (eu sei eu sei,
maior trampo, mas vocês tinham que ver, ele era uma graça). o engraçado é que,
eu, sem querer, acabei expandindo isso pra tudo e pra todos.
eu fiz nesses últimos dois meses mais
amizades do que tinha feito no resto do ano inteiro. reatei e me aproximei de
amizades velhas. me aproximei de colegas que agora são amigos. superei
vergonhas e inseguranças de postar poesias e selfies minhas (selfies são
realmente dolorosas de postar). eu fiz o que os jovens chamam de social na minha casa, e foi um SUCESSO
(uma das melhores noites desse ano, pra falar a verdade). eu estava (e
continuo) tão longe da minha zona de conforto que eu quase não consigo mais
enxergá-la (dá um certo medo, até porque é bom saber que ela ta aqui pra me proteger,
mas outro dia a gente fala de medo, tenho um poema inteiro escrito sobre isso
já). talvez eu esteja voltando a ser alguém que eu era há 8 anos atrás (espero e sei que não, é só uma hipótese). talvez uma parte de mim que se
perdeu esteja voltando. ou talvez eu continuo no processo de andar em direção a
mim mesma, e no meio do caminho peguei de volta algo que um dia foi roubado (ou não) de
mim. eu realmente não sei. só sei que o mundo dá voltas.
ah é, e não posso esquecer de agradecer.
muito obrigada, menino, você me mudou.