quinta-feira, 17 de maio de 2012

Praticar o Desapego

Se desapegar. É esse o jeito. Se desapegar de uma pessoa, de um cheiro, de um momento, de um dia, de uma viagem, de um lugar, de uma roupa, de um bichinho de pelúcia, de uma boneca, de um celular, de tudo, absolutamente tudo. Eu sou assim. Me apego tão fácil, e pra piorar, me apego à tudo.

É sempre assim. Sempre acabo me ferrando por ser muito expressiva ou muito emotiva, ou isso, muito apegada. Me pego as vezes pensando em momentos que eu já deveria ter esquecido há muito tempo. Pra falar a verdade, eu não consigo nem dar meus bichinhos de pelúcia, sendo que eu nem olho mais pra eles. E como isso é solucionado? Alguém por favor me explica. Praticando o desapego. Mas como se faz isso?

Haha. Engraçado. Só pensando na possibilidade de deixar alguém ou algo pra trás, já começo a chorar. Aiai, como eu adoro ser chorona.

Bom, não sei se vocês sabem, mas uma das minhas grandes metas (eu falaria "sonhos", mas preciso tirar essa palavra do meu vocabulário) na vida é fazer faculdade fora. Mais especificamente, nos Estados Unidos. E como eu já disse num post anterior, entrei no ensino médio esse ano, e já tem gente perguntando e insistindo em que eu escolha o que quero fazer. De primeira resposta, eu digo isso. Quero fazer faculdade fora, e cara, eu falo com tanta certeza que parece que eu quero sair daqui o mais rápido possível (eu realmente quero), mas também parece que eu não vou sentir falta disso tudo. Se você que está lendo isso agora consegue me imaginar sozinha numa universidade sem minha família, meus pais, meus amigos, meus professores, meus cachorros, sem açaí e sem meu quarto, avise por favor. Porque eu não consigo. E isso tem tomado conta da minha cabeça, mesmo. Não sei se eu só to sensível por causa da tpm (sim, estou de tpm, então fica longe), ou sei lá. Só sei que passei as últimas duas semanas pensando nisso. Sofrendo por antecipação.

Sofrer por antecipação. Essa aí é outra coisa que eu faço muito.

Dei essa volta toda pra chegar onde cheguei agora. Eu sofro por antecipação por ter que me desapegar de algumas pessoas. Ah, sabe o que? To nem aí. Vou ser bem específica agora.

Como eu vou me despedir? Como eu vou conseguir simplesmente dar um último abraço na minha melhor amiga, nos meus 4 professores maravilhosos, nos meus irmãos, nos meus melhores amigos. Como eu não vou mais ouvir o latido da Kitty pedindo comida 100 vezes por dia? Como eu não vou mais pular de alegria pras aulas de matemática? Como eu não vou mais morder o braço do professor de literatura? Como eu não vou mais ouvir as 1001 besteiras que o Bruno me fala? Como eu não vou mais desproporcionar meu maxilar só pra rir por 5 segundos da cara do Rego? Como eu não vou mais ter lutas (que claro, eu sempre ganho) com o Granja? Como eu não vou mais esperar por toda Terça e Quinta só pra ver o professor de ciências? Como eu não vou mais ver minha melhor amiga?

Claro, vou fazer amigos novos, conhecer pessoas. Eu até pretendo finalmente comprar meu unicórnio e meu chimpanzé. Mas não é a mesma coisa. Acabei de fazer 15 anos e me sinto como se tivesse 8.

Ta aí. Outro show de exagero, desespero, frustração.

Mas é. A vida anda. As coisas vêm e vão, e acabam passando despercebidas. Por isso tenho que praticar o desapego. Preciso deixar as coisas irem pra que novas venham. Falta muito, mas falta pouco.

É loucura querer se afastar de uma pessoa, para que na hora de se despedir, seja menos doloroso?

Um comentário:

  1. sim, é loucura...desfrutar a presença e o amor de uma pessoa é muito bom, mesmo sabendo que a despedida pode acontecer um dia. te amo!

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