Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva.
Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.
Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a "coisa" vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.
Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece e a coragem volta" - Anne Frank
Escrever. Que assunto, que palavra, que tema. Eu juro pra vocês que só de falar ou ouvir, meus olhos se enchem de lágrimas. O que eu sinto quando escrevo é muito difícil de explicar. É uma leveza, misturado com felicidade, misturado com prazer, e muita, muita paixão.
Eu acredito que cada pessoa tem algo que a faz esquecer tudo. Para algumas pessoas é um esporte, ou a dança, ou desenhar, ou tocar algum instrumento. Pra mim é escrever.
Desde pequena, eu escrevia mini histórias que sempre evolviam coisas que eu gostava muito ou com que eu sonhava. Por exemplo, eu fazia histórias sobre princesas que por algum motivo eram insatisfeitas com suas vidas, e elas eram sempre salvas por um unicórnio. Ou sobre uma garotinha solitária que encontrava um cachorro que falasse com ela. Hoje em dia não é muito diferente, mas eu escrevo pra tudo. Tem vezes que eu acabo perdendo a minha cabeça por causa de uma ansiedade enorme para provas, ou começo a pensar demais sobre meu futuro, e, ás vezes, eu me perco de mim mesma. Ás vezes eu acho que estou lidando bem com alguma situação, mas quando vou escrever sobre isso, percebo que é o contrário. Se eu preciso de alguma ajuda ou entendimento melhor sobre algum tipo de situação, eu escrevo. Se eu eu estou extremamente feliz com alguma coisa que tenha acontecido, eu escrevo. Qualquer preocupação, felicidade, tristeza, ansiedade, acontecimento, desentendimento, qualquer coisa mesmo, eu escrevo. E eu me encontro. Parece que, ao escrever, eu automaticamente crio um tipo de resposta ou solução. Eu não sei muito bem o que acontece pra que isso aconteça, mas eu sei que é a melhor sensação possível pra mim.
Escrever é uma das minhas 3 maiores paixões (as outras duas são música e animais). Eu tenho me conhecido melhor através da escrita, tenho visto as coisas de maneira diferente, tenho amadurecido, e entendido melhor as coisas à minha volta. É incrível, e talvez vocês não acreditem, mas dependendo do que eu estou escrevendo, meu coração começa a bater mais rápido (por exemplo, agora). E eu amo escrever. Paixão transborda de mim quando escrevo, e é algo que eu espero fazer pelo resto da minha vida. Pra mim, liberta a alma. Eu poderia passar horas escrevendo, sobre mim, sobre coisas que eu gosto, sobre meus sonhos.
Posso não ser uma Clarice Lispector da vida pra expressar meu sentimento em relação a isso tão bem quanto ela, até porque o trecho que eu botei dela diz exatamente como eu me sinto. Então faço das palavras dela, as minhas.
Minha mãe me deu de aniversário um diário parecido com o da Anne Frank. Depois de ler algumas coisas sobre ela, e ver que ela era muito parecida comigo nesse aspecto, eu escrevi uma coisa pequena na primeira página, mas que resume muito um grande sonho meu em relação a escrita:
"Eu quero escrever tão bem quanto a Anne Frank escrevia. Eu quero que as pessoas me ouçam e o que eu tenho a falar pra elas. Talvez minha história não seja tão boa quanto a dela, já que eu não tava presente na Segunda Guerra Mundial. Mas o que eu tenho pra falar e contar vale a pena ser escutado.
Eu só quero poder seguir meus sonhos e fazer com que as pessoas acreditem que elas também podem.
Eu quero ser uma inspiração"
estudar física nem pensar né?
ResponderExcluirEstudar física e escrever também! Com organização e responsabilidade, dá pra fazer os dois. Ana Luiza, emocionante...
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